
O Corinthians amanheceu com uma dor de cabeça extra nas contas nesta sexta-feira (25/09): o governo federal anunciou uma medida provisória proibindo casas de apostas esportivas e cassinos virtuais no Brasil, e o principal patrocinador do clube é justamente uma bet.
A Esportes da Sorte é a patrocinadora máster do Timão desde 2024. O contrato tinha sido renovado em fevereiro deste ano por mais quatro temporadas (até 2029), com valor fixo de R$ 150 milhões por ano, podendo chegar a R$ 200 milhões com bônus de desempenho. Na época, foi comemorado como um baita upgrade: um aumento de 45% em relação ao acordo anterior, que pagava R$ 103 milhões por ano.
Só que a festa pode durar pouco. Com a proibição das bets, o Corinthians projeta um prejuízo de pelo menos R$ 480 milhões referentes aos três anos que ainda restavam de contrato (2027 a 2029), e o clube já avisa que esse valor pode aumentar. Os cerca de R$ 20 milhões que faltavam de 2026 já tinham sido adiantados, então esse pedaço está garantido, mas o resto do bolo derreteu.
E o prazo é curto. Os depósitos nas plataformas de apostas já estão bloqueados desde a última sexta. As bets têm até o dia 5 de outubro, às 23h59, para tirar suas marcas de qualquer patrocínio, incluindo as camisas dos times. A partir do dia 6 de outubro, as plataformas saem do ar de vez.
O timing não podia ser pior para o Corinthians. O clube fechou o primeiro semestre de 2026 com déficit de R$ 246 milhões e carrega uma dívida total de R$ 2,8 bilhões, incluindo atrasos com direitos de imagem do elenco. Perder de uma vez a principal fonte de receita publicitária é o tipo de notícia que ninguém queria ler num sábado de manhã.
E o Corinthians não está sozinho nessa: 14 dos 20 clubes da Série A têm bets como patrocinadoras máster, e essas empresas pagaram R$ 1,145 bilhão em patrocínios aos 20 maiores clubes do país só no ano passado. O golpe é geral no futebol brasileiro, mas poucos clubes dependiam tanto desse dinheiro quanto o Timão.
Agora é esperar para ver como a diretoria vai correr atrás de um substituto à altura, porque R$ 150 milhões por ano não caem do céu, e o Corinthians já sabe bem como é apertado o orçamento sem essa grana.
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